José Serra: o metrô de São Paulo é modelo para o Brasil

Metrô de São Paulo avança 1,4 km por ano

Os tucanos, à frente do governo do Estado de São Paulo, construíram apenas 21,6 Km de linhas do metrô entre 1995 e 2010, o que representa uma média de 1,4 km por ano. É a menor rede metroviária entre as grandes capitais do mundo, com 65,9 km.

Comparando com Cidade do México, que começou a construir o metrô na mesma época de São Paulo e hoje conta com 201 km de linhas, percebe-se a grande morosidade na construção do metrô paulistano.

O governo Serra/Goldman, especificamente, construiu 5,6 km. Mesmo assim, a “expansão” das linhas do metrô de São Paulo é constante propaganda do PSDB. O candidato tucano chegou a prometer, inclusive, que, se eleito presidente, vai construir 400 km de linhas metroviárias em nove capitais do país. A declaração surpreendeu até mesmo o governador Alberto Goldman. “Ele exagerou”, afirmou o tucano.

A gestão Serra também deixou de investir R$ 1,3 bilhão na expansão da rede de metrô de São Paulo em 2009. Ao todo, estava previsto o gasto de R$ 3,3 bilhões, mas foram aplicados R$ 2 bilhões na ampliação, segundo balanço do Metrô, publicado no Diário Oficial do Estado em abril deste ano . O valor de investimento estava previsto no orçamento 2009, aprovado pela Assembleia Legislativa.

A redução dos investimentos ocorreu principalmente pelo atraso na Linha 5-Lilás. O trecho deixou de receber R$ 1 bilhão, o equivalente a 80% da verba prevista. Segundo a empresa, não houve falta de recursos financeiros nas obras.

Corrupção

O metrô de São Paulo custou R$ 400 milhões/km (aproximadamente US$ 220 milhões/km), segundo informações da própria Secretaria dos Transportes Metropolitanos. No metrô de Madri, foram gastos US$ 42 milhões/km, ou seja, cinco vezes menos que em São Paulo.

A Bancada do PT na Assembleia Legislativa tem denunciado superfaturamento e corrupção na construção do metrô paulistano. A multinacional Alstom, fabricante de vagões de trens e metrôs, é investigada no Brasil e na Europa sob a acusação de ter pagado propina para obter contratos com o governo do PSDB ao longo dos 15 anos do partido na condução do Estado de São Paulo.

Enquanto, o Ministério Público Federal apura os crimes de lavagem de dinheiro e contra a ordem tributária, o Ministério Público de São Paulo investiga  os atos de improbidade administrativa praticados por autoridades públicas e lesivos ao patrimônio Estado.

Apesar do escândalo internacional, a empresa seguiu firmando novas prorrogações de contratos.

Além de todas essas denúncias de corrupção,  o Metrô será obrigado a pagar uma indenização de R$ 200 milhões ao Consórcio Via Amarela, valor originário  pela mudança do método de escavação dos túneis, solicitada pela companhia em 2004, para agilizar a entrega da obra e que ocasionou o desabamento da Estação Pinheiros, responsável pela morte de sete pessoas.

Tragédia do metrô deixou 7 mortos: Secretário de Serra disse que Metrô de Alckmin optou por fiscalizar menos

O título acima não é o do jornal, vocês já perceberam, porém é com esse tipo de manchetes que a mídia procurava e procura desconstruir os seus desafetos. Quando o túnel alagava era o túnel da Marta, quando a obra do metrô desabou, era acidente. Quando a ponte estaiada era iniciada era ponte da Marta dispendiosa e suspeita, quando é inaugurada por Serra e Kassab a ponte Octávio Frias de Oliveira é o novo cartão postal que vai permitir ganhar 45 minutos nos congestionamentos (e silêncio sobre o fato que o preço acabou sendo o dobro).

Mas quero deixar claro que o título que escolhi não visa só a destacar este tipo de tratamento partidário da mídia. Procuro destacar que o arroubo de sinceridade do Secretário de Transportes metropolitano do governador Serra faz parte, na minha opinião, da guerra declarada dos serristas contra Alckmin. Não que o laudo do IPT e as ponderações de Portella sejam infundadas ou manipuladas, mas basta observar a reação dos mesmos serristas quando os contratos assinados por eles, sem licitação, com Alstom são julgados irregulares e com sobre preço, a reação é de rejeitar a evidencia. A Folha de São Paulo teve mesmo que chamar a atenção do governador Serra por julgar inaceitável sua hipocrisia no caso da corrupção e propina da Alstom com o PSDB.

Essa “guerra das rosas” tucanas está permitindo que algumas coisas, antes guardas no segredo e preservadas pela atitude obsequiosa da mídia, venham a luz. Isso é bom para a democracia e suas instituições. LF

Metrô optou por fiscalizar menos, diz secretário

Eduardo Reina e Bruno Tavares – O Estado de São Paulo

https://i2.wp.com/www1.folha.uol.com.br/folha/galeria/album/images/20070112-cratera1.jpg

O secretário dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, admitiu ontem, em entrevista ao Estado, que a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) optou por fazer uma “fiscalização mais distante” da construção da Linha 4 -Amarela, antes do acidente que deixou 7 mortos e 230 desabrigados em 12 de janeiro de 2007. Portella disse que assistiu três vezes ao vídeo que acompanha o laudo entregue anteontem pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) aos responsáveis pela investigação da tragédia. O documento, segundo ele, responsabiliza o Metrô por falha na fiscalização.Nos 29 volumes do relatório, o IPT aponta 11 fatores que contribuíram para a tragédia. São desde erros e desconformidades na execução da obra até a inexistência de um plano de gerenciamento de contingências e riscos – o que o Consórcio Via Amarela sempre negou. “Os problemas na Estação Pinheiros começaram no dia 15 de dezembro”, afirmou Portella.

Além das falhas de engenharia, o IPT detectou sinais claros de que o Consórcio Via Amarela tinha pressa em concluir a obra. Durante a investigação, os peritos encontraram placas de concreto com dimensão menor do que o previsto no projeto, concreto sem fibras de aço ou com quantidade inferior ao recomendado e falta de ensaios no cimento. “O ritmo da obra estava tão acelerado naquele mês que o consórcio não podia esperar a chegada dos materiais mais adequados”, afirmou o promotor Arnaldo Hossepian Júnior, um dos responsáveis pela investigação criminal do caso. Em janeiro de 2007, segundo o IPT, as escavações avançaram 70% a mais do que o registrado no mês anterior.

O modelo do contrato firmado entre o Metrô e o consórcio composto pelas empresas Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Alstom é do tipo “preço fechado” (turn key, na expressão em inglês) – mais eficaz no controle dos gastos e menos aberto a interferências por parte do contratante.

O IPT termina fazendo seis recomendações aos responsáveis pelas obras da Linha 4, incluindo justificar as alterações no projeto, realizar mapeamento das escavações e implementar um sistema de gestão de risco eficiente, que contemple não apenas os trabalhadores nas frentes de obra, mas a vizinhança do canteiro. Procurado, o Via Amarela informou que só vai se pronunciar sobre o laudo a partir de segunda-feira.

A fisca
lização não marcou em cima, diz Portella

Secretário afirma que problemas já foram detectados antes do Natal: ‘a obra parou e voltou errado depois’

Eduardo Reina

Em entrevista ontem, ao Estado, o secretário dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, confirmou que havia tempo para se prevenir a maior tragédia da história do Metrô. “Os problemas na Estação Pinheiros começaram no dia 15 de dezembro. Houve um mês de problemas com vários erros.” Ele considera ainda que a companhia “tem culpa no processo de fiscalização”.

Houve decisões equivocadas?

Numa obra de engenharia, há decisões tomadas a todos os momentos. O IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) mostrou 11 motivos para o colapso. Vi o filme (elaborado pelo instituto) três vezes. O primeiro motivo é que não seguiram exatamente o projeto geológico. Esse projeto é exatamente o que o IPT e o Metrô haviam mostrado inicialmente.

Então não há relação com uma rocha de 15 mil toneladas e uma surpresa geológica na obra, como foi defendido em um laudo independente divulgado pelo Via Amarela em março?

O problema foi não respeitar o projeto geológico. O IPT reafirma que é o mesmo processo geológico que ele já havia detectado. O relatório sobre o acidente na construção do Aeroporto Heathrow também revela uma surpresa geológica, como esse. Esse relatório do consórcio (feito pelo engenheiro norueguês Nick Barton) não tem pé nem cabeça.

O Metrô tem culpa?

Pelo relatório do IPT, a companhia tem culpa no processo de fiscalização. Usando uma metáfora de futebol, a fiscalização não marcou em cima, marcou à distância. Pegava cada etapa que o consórcio fazia. Tem de pegar o evento todo. O consórcio entregava uma etapa toda e justificava aquilo. Nada impedia que o Metrô acompanhasse o evento.

Mas houve negligência?

Não diria que houve negligência. Na hora de escolher o que vai fiscalizar, o Metrô optou por fazer a fiscalização mais distante. Ali está o erro. Um erro sistemático. Houve a opção de fiscalizar menos. O Metrô deveria fiscalizar de perto.

Então, o que ocorreu?

Na engenharia, há cinco erros, geralmente combinados: sabotagem e fatalidade não são o caso nesse acidente. Há os erros mais comuns: negligência, imperícia e imprudência. Aqui não houve negligência. A combinação do que deveria se fazer foi fraca. Neste fim de semana tem mais de 50 pessoas no Metrô lendo o relatório. O segundo erro, imperícia, ocorre quando se faz a coisa certa de modo errado. É o caso dos tirantes. Furou-se o maciço e não se pôs nada dentro. Há imprudência quando se faz mais do que o preciso. É o caso das explosões. Se fez mais do que era preciso.

O sr. tem idéia de quando os problemas começaram?

A obra parou no Natal e voltou errado depois. Não podia fazer explosões. Precisa ver se (essa ordem) veio da área técnica ou da direção do Metrô (a ordem para fiscalizar à distância). Vamos ver quais as partes do relatório que têm a ver com o Metrô e chamar os responsáveis. Vamos abrir uma sindicância. Está em jogo a contratação da forma de fiscalização. Também se pegou o Metrô no plano de emergência. Se fosse checado o plano, seria mostrado que ele não tinha funcionalidade.

O Metrô foi conivente com esse plano ou só viu por alto?

Tem também o problema da água. O túnel deveria ser drenado. E não foi. Havia água no túnel.

A obra foi acelerada?

Pode-se acelerar qualquer obra. Isso não significa que ela vai cair. Mas a aceleração deve ser feita de acordo com o projeto.

Empresas envolvidas com cratera do Metrô ganham nova licitação

qui, 28/08/2008 – 17:30 — Anônimo

A construção da via permanente e do sistema de terceiro trilho da expansão da linha 2-Verde do Metrô da cidade de São Paulo será feita pelas construtoras Camargo Correa e Queiroz Galvão. As duas empresas fazem parte do consórcio Via Amarela, responsável pela construção da linha 4-Amarela e pela cratera que se abriu nas obras da futura estação Pinheiros. O acidente aconteceu em janeiro do último ano.
O orçamento das construtoras escolhidas foi de aproximadamente R$ 220 milhões e o resultado foi divulgado na manhã desta quinta-feira (28). Outras duas construtoras estavam na concorrência – a Andrade Gutierrez e a OAS – ambas também participantes do consórcio Via-Amarela. Ou seja, apenas construtoras responsáveis pela cratera participaram da licitação.
As construtoras Tejofran e o consórcio formado pela Carioca, Convap e Sutelpa contestaram o processo licitatório. Estas empresas foram desconsideradas por não cumprir critérios jurídicos ou técnicos.
A expansão da linha 2-Verde até a Vila Prudente já está em obras, mas o projeto de expansão prevê que ela chegue até a estação Oratório, na Zona Leste da cidade.
De São Paulo, da Radioagência NP, Vinicius Mansur.

http://www.radioagencianp.com.br/node/5324

 

Falhas e paralisações viraram rotina no Metrô de São Paulo

22/09/2010

Após o caos vivido pelos usuários do sistema metroviários durante toda a manhã da terça-feira (21), novamente, uma composição na linha 3-Vermelha do Metrô de São Paulo teve falha no sistema pneumático nesta quarta-feira (22). Ontem, um problema técnico, que segundo a empresa foi causado por uma blusa presa na porta de um vagão, causou a paralisação de toda a linha, prejudicando 150 mil pessoas.
A falha desta quarta-feira aconteceu às 8h09 no sentido Palmeiras-Barra Funda. Os passageiros que estavam no vagão foram transferidos para os outros carros do trem. O carro com defeito foi para a manutenção.

Caos e superlotação
Em menos de um mês, os passageiros do metrô de São Paulo já enfrentaram panes e interferências que atrasaram as viagens ao menos seis vezes, incluindo as de ontem.

Segundo Wagner Fajardo, secretário geral do sindicato e presidente da Fenametro (Federação Nacional dos Metroviários), o número de usuários do metrô cresce a cada dia. “O número de composições já foi aumentado e não resolveu o problema de lotação. O sistema atual não comporta mais trens, é preciso construir novas alternativas. Enquanto isso, a população continuará sujeita a passar por situações como a que ocorreu hoje”, disse o sindicalista.

O metrô de São Paulo tem cerca de 3,4 milhões de passageiros por dia, destes 1,2 milhão são usuários da linha 3-Vermelha, afirmou Fajardo.

As falhas foram espalhadas em quatro linhas, sem considerar outras registradas na malha de trens da CPTM – por exemplo, no dia 15, com depredação e tumulto em Guaianazes. E os motivos foram também variados.

Na segunda-feira (20), por exemplo, os trens não circularam entre as estações São Judas e Jabaquara da linha 1 – azul durante 20 minutos à tarde. A empresa culpou um raio que atingiu os trilhos, afetando a alimentação elétrica da linha.

Na semana passada, uma falha elétrica obrigou os trens da linha 2 – verde a circularem com restrição de velocidade e maior intervalo por uma hora, pela manhã, e cinco pessoas passaram mal. A linha 1 – azul também teve problemas no último dia 10 devido a uma falha num equipamento da via na região da estação Paraíso.
Outras duas interferências relevantes foram no dia 3 deste mês (problemas de tração de trens na linha 3 – vermelha) e no dia 24 do mês passado (queda de energia por uma hora na linha 4 – amarela).

Equívoco do monotrilho

Para Fajardo, o monotrilho – tipo de trem com pneus que rodará sobre estruturas elevadas – da linha 17-ouro, que fará a ligação entre as linhas 4-Amarela e 5-Lilás do metrô (da região do aeroporto de Congonhas ao Morumbi e ao Jabaquara), não vai resolve
r o problema da superlotação. O governo paulista prometeu entregar o transporte até 2013.

“É um equívoco muito grande. A linha 2-Verde vai sair da Vila Prudente e irá até Tiquatira, o usuário que vier de Itaquera [linha 3-Vermelha], vai descer na Penha e superlotar o metrô que vai para a avenida Paulista. Quem chegar do monotrilho na Vila Prudente não vai conseguir entrar no metrô, que vai ficar lotado. Tinha que fazer um metrô até Cidade Tiradentes e garantir que as linhas cruzem”, afirma o sindicalista.

A atual saturação do sistema metroviário potencializa os efeitos de falhas ou incidentes, segundo técnicos. O Metrô de SP já disse ter a rede mais utilizada do mundo por quilômetro de linha. Parte disso se deve à quantidade de usuários, que subiu depois do Bilhete Único. Parte disso também se deve ao pequeno tamanho do sistema, inferior a 70 km.
“Num sistema desses, qualquer parada de 15 minutos provoca transtornos”, afirma Eleonora Pazos, da Associação Internacional de Transporte Públicos (UITP).

Governo quer emplacar tese de sabotagem

estação sé 1

O governador Alberto Goldman (PSDB) disse ontem que a série de problemas preocupa. Técnicos ouvidos disseram não ter elementos para relacionar as ocorrências a deficiências de manutenção. E ameaçou: “vamos chamar a polícia para ver se houve alguma coisa além de um acidente”.
O presidente da  Associação de Engenheiros e Arquitetos do Metrô (Aeamesp), José Geraldo Baião, diz ter relatos de aumento do uso do botão de emergência por passageiros nas últimas semanas. O que reforça a crítica do Sindicato dos Metroviários sobre as constantes falhas e a superlotação do sistema. “O caos ocorrido foi gerado por uma falha de porta, que provocou um efeito cascata”, afirmou Benedito Barbosa, diretor da entidade.
A ex-subprefeita de São Paulo e atual coordenadora da campanha de internet do tucano José Serra (PSDB), Soninha Francine, virou motivo de piada na internet nesta terça-feira, ao insinuar que os problemas no Metrô de São Paulo foram fruto de “sabotagem” do PT. Ela não citou o partido textualmente, mas afirmou em outras mensagem que o PT sabota as ações do PSDB em todo o Estado.

Como forma de tentar limpar a “barra”, na ressaca da pane que paralisou o Metrô e elevou o tom das críticas da oposição ao transporte público de São Paulo, o candidato ao governo Geraldo Alckmin (PSDB) percorrerá nesta o trajeto entre as estações Clínicas e Tietê em “horário de pico”, no final da manhã. Final da manhã não é horário de pico.

A pretexto de celebrar o “Dia Mundial sem Carro”, o deslocamento tentará simbolizar a defesa da confiabilidade do sistema, administrado há 16 anos pelo partido e apresentado nas propagandas como símbolo de excelência e conforto em transporte público.

Os seguidos problemas nos trens e metrô de São Paulo

Enviada em 21 de setembro de 2010

 

estação sé

Hoje, dia 21/9/10, ocorreu mais um problema no Metrô-SP.

Com os ocorridos nos trens da CPTM, são doze em apenas dois meses.

O caos de hoje (clique aqui para ler matéria no T1), segundo o Governador do Estado de São Paulo, Alberto Goldman, foi causado por uma blusa que travou o fechamento de uma das portas, paralisando todo o sistema.

O governador disse que é estranho que isso tenha ocorrido e deixou no ar uma hipótese de sabotagem com fins eleitorais.

metrosaopaulo

Vamos analisar os fatos de forma racional:

1. Será o sistema metroviário tão frágil e tão inseguro que é incapaz de reagir ao travamento de uma porta, levando à paralisação de todo o sistema, provocando a ira dos usuários com a consequente depredação dos veículos?

2. Se foi um ato de sabotagem – com fins eleitorais -, deve ter sido um fato único. Foi? A resposta é: não. Este foi o 12º incidente nos trens da CPTM e no Metrô-SP, em apenas dois meses.

3. É plausível que militantes de partidos de oposição ao atual governo estadual tenham conseguido realizar uma série de doze intervenções no sistema metroviário para prejudicar o candidato do governo de SP? Se for, é porque o sistema é muito vulnerável. Ou não?

4. Se forem considerados os incidentes registrados apenas de agosto a setembro deste ano, a média de problemas é de um a cada 3,6 dias. É crível que algum partido político tenha capacidade de gerar essa frequência de problemas?

5. Matéria do Uol relata cada um desses doze problemas e informa as causas de cada um deles (clique aqui): falha na alimentação de energia elétrica (vários); problemas de tração; falha em equipamento na estação Paraíso; invasão de caminhão na passagem de nível; problemas em portas; sinalização deficiente; raio no trilho.

Pelo visto há causas fortuitas e problemas relativos à gestão ineficiente para emergências quando o problema ocorre.

Em uma frase: não há planos de contingência!

Como consequência, cada vez que ocorre um problema, a CPTM e o Metrô-SP são incapazes de reagir para minimizar os danos e evitar o caos. É simples assim.

Falar em sabotagem com fins eleitorais é subestimar demais a nossa inteligência.

 

 

 

O Metrô de SP, a propaganda e a realidade

Por Juliana Sada

São Paulo. Quinta-feira, 16 de setembro. 8h20. Estação Ana Rosa do metrô, ponto de intersecção entre as linhas azul e verde.

Os trens da linha azul fluíam normalmente e estavam relativamente vazios. Desci na Ana Rosa para seguir ao Sacomã, ponto final da linha verde. Fazer a baldeação nesta estação deveria ser algo rápido – sobretudo indo da linha
azul para a verde, a menos movimentada. Ainda era cedo mas o horário de pico já havia passado.

Foi com uma leve surpresa que me deparei com várias pessoas olhando a plataforma. Já antevi que lá embaixo estaria lotado e que os trens não estariam circulando normalmente. Tive apenas uma leve surpresa porque, apesar de não frequentar a linha, já tinha visto aquilo no mês passado no mesmo horário mas imaginei que era uma exceção. Aparentemente estava enganada. Ou teria sido uma azarada coincidência?

Hoje pela manhã, quase todos estavam com celulares à mão ligando para avisar ao chefe que chegariam atrasados. O problema maior era no sentido Vila Madalena, que é também o mais movimentado pois leva as pessoas que trabalham nos escritórios nas regiões das avenidas Paulista, Rebouças e Faria Lima. Pelos alto falantes, o recado era que havia uma falha e por isso os trens circulavam com menor velocidade. Mensagem padrão que é dada diariamente em todas as linhas.

No outro sentido, a linha estava aparentemente tranquila. Entretanto, quando o trem chegou os usuários foram avisados de que deveriam descer pois o veículo não prestaria mais serviços. Fato inusitado mas logo em seguida chegou outro e tudo estava resolvido, ao menos aparentemente. Ao tentar sair, o metrô deu um tranco e desligou. Parecia um motorista iniciante deixando o carro morrer. O condutor parecia confuso, gaguejou ao tentar explicar mas ao fim disse que era uma falha no suprimento de energia.

Ironicamente, enquanto esperava, li no jornal a matéria sobre a estação de trem que foi depredada ontem. O motivo foi o atraso de trens e o fechamento da estação para controlar o número de pessoas na plataforma. Tal como hoje, o problema foi elétrico. Uma “pane elétrica”no caso.

Uma mentira repetida mil vezes…
Nas duas vezes, veio à minha mente a mesma imagem: a propaganda do governo estadual (PSDB) e municipal (DEM) sobre o transporte público. Não consigo entender como apresentam o metrô como vitrine de seus mandatos. O abismo entre a propaganda e a realidade é assustadoramente enorme. São cerca de três milhões de usuários diários. Os problemas enfrentados por eles com certeza são difundidos a outras pessoas, o que leva a um universo ainda maior de pessoas que tem contato com a questão. Como esconder a deficiência deste meio de transporte e ainda exaltá-lo?

A falta de informações sobre a situação do metrô e trem é gritante. Os órgãos oficiais responsáveis tratam a maioria dos episódios como isolados, problemas pontuais. E a propaganda oficial apresenta estes serviços como o máximo de eficiência e modernidade. Entretanto, quem usa esses transportes sabe que a ocorrência de falhas é constante.  A mídia não dá devida atenção ao problema e quando dá fica restrita às versões oficiais. Recentemente foi noticiado problemas nos trens novos comprados para a linha vermelha do metrô, a mais movimentada. Havia um problema técnica que oferecia risco aos usuários, os veículos tiveram que ser retirados.

Cidade desigual
Para além das questões técnicas está a própria deficiência em suprir demanda dos cidadãos, são muitos usuários e o desconforto é a regra. Indo mais além, há uma discussão fundamental que é a do planejamento urbano.  A região central concentra a oferta de trabalho ao mesmo tempo em que possui uma taxa de ocupação para moradia baixíssima. O inverso ocorre nas periferias que são densamente populadas mas com poucas oportunidades de emprego. Essa discrepância é responsável pelo intenso fluxo de pessoas que são obrigadas a se locomover por grandes distâncias. Resolver a deficiência do transporte público passa, obrigatoriamente, pela questão da moradia e pelo enfrentamento da especulação imobiliária.

Os movimentos por moradia já possuem essa consciência e por isso direcionam as suas ações em ocupar grandes prédios  abandonados (e, em geral, endividados) no centro. Falta ainda um poder público desatrelado aos interesses do setor imobiliário e comprometido com o bem estar da sua população.

Estação Sacomã, a “mais moderna da América Latina”, de acordo com o governo.

Usar metrô e ônibus em São Paulo é um verdadeiro martírio! Transporte de péssima qualidade e no horário de pico, mesmo na linha azul “mais civilizada” é um verdadeiro caos.

No metrô Sé é um verdadeiro massacre!

Expansão São Paulo propaganda é Perigosa e totalmente fora da realidade

 

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Foto enviada por internauta mostra passageiros do metrô andando nos trilhos após confusão

Foto enviada por internauta mostra passageiros do metrô andando nos trilhos após confusão

Desde o começo de agosto, os trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô-SP) apresentaram pelo menos doze problemas que afetaram a circulação de passageiros.

Goldman: falhas na CPTM serão resolvidas em 2 anos

Em agosto, o governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), afirmou que o número de falhas nas linhas da CPTM deve cair de forma considerável dentro de dois anos, quando será concluído o processo de modernização do sistema da empresa. Nesta terça-feira, ele atribuiu o problema a uma blusa “colocada na porta do vagão”

No dia 10 de agosto, a paralisação dos trens afetou as estações Brás e Tatuapé, na linha 11-Coral da CPTM, por cerca de oito horas. Calcula-se que 70 mil passageiros foram afetados pelo problema. Duas semana depois, no dia 24, um apagão paralisou por quase uma hora a linha 4 do Metrô, que foi inaugurada em junho.
Se forem considerados os incide
ntes registrados apenas de agosto a setembro deste ano, a média de problemas é de um a cada 3,6 dias.

Relembre os problemas com trem e metrô apresentados recentemente:
20 de setembro – A circulação de trens em um trecho da linha 1-Azul do metrô ficou interrompida por cerca de 20 minutos. A pane foi causada por um raio, que atingiu os trilhos no pátio Jabaquara. Com isso, a alimentação elétrica foi afetada, desenergizando o trecho entre as estações São Judas e Jabaquara.

No mesmo dia, duas linhas da CPTM apresentaram problemas de sinalização, o que afetou a circulação de trens e provocou acúmulo de passageiros em algumas plataformas. Na linha 7-Rubi, na estação Franco da Rocha, os trens tiveram que trafegar por apenas uma via durante 1h30. Já na linha 8-Diamante, um problema de sinalização na estação Jandira deixou as operações paradas por cerca de 15 minutos.
17 de setembro – Problema em portas de trem da CPTM causou lentidão na linha 12-Safira e todos os passageiros tiveram que desembarcar na estação de São Miguel Paulista. Devido à falha, todos os trens da linha circularam com maior intervalo por cerca de 20 minutos.
16 de setembro – Pelo menos cinco pessoas passaram mal durante problema de fornecimento de energia que prejudicou a circulação dos trens da linha 2-Verde (Vila Prudente-Vila Madalena) do Metrô. O sistema de ventilação dos vagões foi desligado, o que causou o mal estar entre alguns usuários. Durante o problema, uma das composições parou entre as estações Paraíso e Brigadeiro e teve vários dispositivos de abertura de portas acionados de forma indevida pelos usuários.
15 de setembro – A quebra de um trem da CPTM na estação José Bonifácio, sentido Guaianases, fez com que a estação ficasse fechada por cerca de meia hora. Com o fechamento, passageiros se revoltaram e atacaram a estrutura da estação. Depois que o trem apresentou defeito de tração, a circulação entre as estações Corinthians-Itaquera e Guaianases passou a ser feita por uma única via.

11 de setembro – A circulação de trens entre as estações Jandira e Itapevi, na linha 8-Diamante, foi paralisada depois que um caminhão desrespeitou a sinalização e invadiu a passagem em nível próxima da Estação Engenheiro Cardoso.

10 de setembro – Uma falha em equipamento na estação Paraíso da linha 1-Azul do Metrô, que faz o percurso Jabaquara-Tucuruvi, deixou a circulação de trens parada por cerca de duas horas. Houve tumulto na estação da Sé, a mais movimentada da capital paulista.

24 de agosto – Uma queda total de energia paralisou a circulação de trens na linha 4 do Metrô. As estações Faria Lima e Paulista foram fechadas. 

No mesmo dia, um problema de tração elétrica na estação Corintinhans-Itaquera, no sentido Luz, interrompeu a circulação de trens na linha 11-Coral da CPTM. Od passageiros acionaram o sistema de emergência.

19 de agosto – Um trem apresentou problemas na linha 8-Diamante, na estação Itapevi (Grande São Paulo). Depois, um problema no sistema de alimentação elétrica dos trens da linha 7-Rubi da CPTM interrompeu a circulação de trens entre as estações Jaraguá e Perus. 

17 de agosto – Um trem foi esvaziado depois de apresentar problemas de tração na estação de metrô Armênia (zona norte de SP), na linha 1-Azul (Jabaquara – Tucuruvi). A composição foi recolhida para uma área de estacionamento perto da estação Tucuruvi e os demais trens da região circularam com velocidade reduzida e maior tempo de parada.

10 de agosto – A circulação de trens foi afetada entre as estações Brás e Tatuapé, na linha 11-Coral da CPTM. O problema, causado por uma falha na rede de alimentação de energia elétrica do trecho, levou cerca de oito horas para ser resolvido. Cerca de 70 mil passageiros foram afetados pelo problema.

O Metrô de São Paulo
Ficha técnica do Metrô de SP

ficha técnica

http://fenametro.org.br/site/index.php?option=com_content&task=view&id=460

http://www.rodrigovianna.com.br/plenos-poderes/metro-o-abismo-entre-a-propaganda-governamental-e-a-realidade.html

http://www.youtube.com/user/valdirtimoteo

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2010/09/21/metro-sp-e-cptm-registraram-doze-problemas-de-circulacao-nos-ultimos-dois-meses.jhtm

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2010/08/14/metro-e-outra-mentira-do-serra-ele-faz-um-km-por-ano/

http://blogdofavre.ig.com.br/2008/06/tragedia-do-metro-deixou-7-mortos-secretario-de-serra-disse-que-metro-de-alckmin-optou-por-fisca
lizar-menos/

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